projetos realizados Cais do Valongo

Localizado na região da Pequena África, no centro do Rio de Janeiro, o Cais do Valongo foi revelado durante as obras do Porto Maravilha, realizadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2011, e foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017 por ser o principal cais de desembarque de africanos escravizados em todas as Américas e o único que se preservou materialmente. No mesmo ano, foram iniciadas as negociações para o projeto de revitalização do sítio arqueológico.

Toda a obra de revitalização contou com duas etapas: a primeira delas, iniciada em 2019, o idg realizou em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos. O trabalho consistiu na pesquisa para identificar vestígios de importância arqueológica no local, além do acompanhamento do início das obras e da execução de procedimentos de conservação, como por exemplo, a limpeza do solo, contenção de erosões, reforço estrutural do muro, entre outras intervenções.

A segunda fase foi executada em parceria com a State Grid Brazil Holding, por meio de financiamento pela linha de Investimento Social para Empresas - ISE, do BNDES. O idg desenvolveu e implementou a instalação do guarda-corpo para proteção do sítio arqueológico e do próprio público, realizou a construção de nova mureta, a sinalização, a instalação do módulo expositivo e todo o projeto urbanístico do local. Já o projeto de iluminação do sítio histórico, que foi desenvolvido pelo idg e implementado pela Prefeitura do Rio por meio da RIOLUZ/SMARTLUZ, foi pensado para realçar traços arquitetônicos do sítio arqueológico e criar uma experiência visual, sem comprometer a integridade arqueológica do sítio. Na iluminação cênica, as luzes coloridas em monumentos podem ser utilizadas em datas comemorativas em prol de causas sociais.

O projeto de sinalização, que teve como base técnica orientações do Iphan e da UNESCO, integra o Cais do Valongo no circuito de herança africana na região, conectando, através de referências visuais e placas indicativas, outros pontos de interesse como a Pedra do Sal, o Jardim Suspenso do Valongo e Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira - MUHCAB. Por fim, com o objetivo de levar informação ao público que frequenta o local, foi implementada uma exposição a céu aberto sobre a importância histórica atual da Pequena África, seus espaços e agentes de território.

O idg também atuou na implementação de projetos educacionais sobre o Cais do Valongo. Desenvolveu e colocou em prática o Valongo, Cais de Ideias, que formou educadores para a valorização das memórias e histórias do local. Já o (A) gentes do Valongo foi direcionado para a população local da Zona Portuária, e teve como objetivo provocar a troca de ideias e conhecimentos sobre o Sítio Arqueológico e sobre a atuação dos diversos agentes da Pequena África. Foram realizados dez encontros virtuais com 20 instituições da região e a participação de mais de 200 pessoas que se inscreveram, cujo perfil eram estudantes universitários e profissionais de turismo do Rio.

Todos os projetos desenvolvidos pelo idg foram apresentados e debatidos no âmbito do Comitê Gestor do Cais do Valongo, instância de governança do bem Cultural Patrimônio Mundial, reinstituído pela Portaria Iphan nº 88 de março de 2023. Direcionado para a gestão compartilhada e participativa do sítio, o grupo foi composto por 15 instituições representativas da sociedade civil e 16 governamentais nas esferas federal, estadual e municipal. Entre as instituições integrantes estavam o Ministério da Cultura (Minc), a Fundação Palmares e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O Iphan coordena os trabalhos do comitê.