Em 2014, o Paço do Frevo abria suas portas no bairro do Recife, região histórica da cidade, para ser uma das casas dessa manifestação cultural pernambucana, patrimônio imaterial do Brasil e da Humanidade. É um cortejo que segue há 12 anos, em uma profícua e ininterrupta parceria de gestão entre a Prefeitura do Recife e o idg - Instituto de Desenvolvimento e Gestão, difundindo, fortalecendo e atuando diariamente na manutenção do universo de dança, música, cor e movimento do Frevo.
Ao longo desses 12 anos, o Paço foi museu, palco e escola. Já recebeu mais de 1,3 milhões de visitantes, o que o destaca como o museu público mais visitado de Pernambuco, e ofereceu ao seu público projetos que salvaguardam as histórias e tradições do Frevo, mas também olham para a frente e esperançam futuros, fomentando novas ideias e criações. Seja por meio das suas exposições ou dos cursos, oficinas e debates proporcionados pela Escola Paço do Frevo e pelas áreas de Educação e Memória e Exposições; por projetos como o Fábrica de Frevo, que atua na capacitação de artistas e na criação de novos produtos de Frevo na música e na dança; ou por ações como o lançamento do Selo Paço do Frevo & Muzak Music, parceria que une tradição e inovação para dar ainda mais voz à música pernambucana, o Paço do Frevo olha à frente, pois sabe que, para salvaguardar um patrimônio e suas tradições, é preciso conhecê-lo, respeitá-lo e fortalecê-lo através da criação de novos públicos.
O Paço é, sobretudo, um museu feito por e para as gentes - funcionários, artistas, visitantes, brincantes, foliões que se encontram nesse espaço vivo e fortalecem coletivamente o Frevo. À frente da direção do equipamento há quatro anos, vejo e vivo de forma direta como o trabalho que fazemos diariamente — durante todo o ano, sempre colocando o Frevo na sua posição intrínseca de destaque, muito maior do que a sazonalidade do Carnaval — pode e deve atuar para além da festa, alimentando debates e construindo pontes para o diálogo entre o campo criativo fértil das culturas populares e as estruturas estratégicas de organização institucional, por meio de associações e comitês que olham atentos para as necessidades do Frevo de ontem, hoje e amanhã.
Em pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas, foi destacado que, a cada R$ 1 gasto com cultura por meio da Lei Rouanet, essa importante ferramenta de incentivo do Governo Federal, há um retorno de investimento de R$ 7,59. Em 2024, o impacto da Rouanet foi de R$ 25,7 bilhões, com geração de 228 mil postos de trabalho. No Carnaval do Recife 2026, organizado pela Prefeitura do Recife, foi contabilizado um público de mais de 3,7 milhões de pessoas, o que injetou R$ 2,8 bilhões na economia e gerou 60 mil empregos temporários. Cultura não é gasto supérfluo ou isolado. É política pública com impactos econômicos reais. Equipamento incentivado pela Lei Rouanet desde a sua abertura, o Paço do Frevo reflete esse perfil de uma estrutura que movimenta mais do que aparece nas fotos. Por trás do museu e das suas exposições e programações, há profissionais criativos, serviços técnicos, turismo, comércio local, imposto e renda que se tornam possíveis graças aos patrocínios captados via Lei Rouanet, junto às empresas que entendem a força da cadeia produtiva da cultura e reconhecem sua importância em um país tão rico e diverso como o Brasil.
Se em 2025 o Frevo ganhou ainda mais força na sua projeção nacional e internacional ao figurar nas telas do cinema pernambucano e fazer o passo nos tapetes vermelhos dos festivais internacionais, aqui no Paço nós abraçamos com alegria e reforçamos: o Frevo brilha o ano todo nas telas, nas ruas e ladeiras, nos fazedores, na música, na dança, nos saberes e nos foliões. E o Paço, museu do Frevo, é vivo como o Frevo o é.








